domingo, 18 de maio de 2008


A ETERNA CRISE DA DRAMATURGIA
Por Felipe Martins*

É comum, hoje em dia, ouvirmos ou lermos nos jornais, palestras, artigos e "rodas de butiquim" a velha máxima de que a dramaturgia brasileira atravessa sua maior crise. Contudo, além de ser uma expressão muito proferida é extremamente mal embasada e entendida.
Se considerarmos que o teatro brasileiro se consolida apenas no século XX, podemos afirmar que sua dramaturgia recente ainda tateia em busca de uma qualidade, que tem se mostrado vibrante. Para aqueles que vão contestar a minha idéia de dramaturgia recente, basta lembrar que além de Martins Pena e Arthur Azevedo (falo de autores significativos), pouco ou nada se fez de dramaturgia antes do século XX (Qorpo Santo talvez valha pela singularidade de estilo).
Entendo que a dramaturgia brasileira sempre andou em relativa crise, minimizada pela efervescência cultural causada pela ditadura militar no Brasil, que produziu arte de inegável qualidade, claro que as custas da repressão cultural e política. Antes de mais nada, é preciso lembrar que a resistência para ser eficiente, sempre deve ser extremamente criativa, e é. Mas a evocação da idéia de crise na dramaturgia nacional se deve, principalmente, à pobreza dos textos escritos de 1990 até hoje. E de fato pouca coisa salva. Centenas de autores colocam à disposição dos grupos seus textos (facilitados pela conveniência da internet), e praticamente imploram para ser encenados.
Muitos pesquisadores afirmam que a falta de qualidade dos textos é causada pela valorização do papel do encenador e do diretor, a partir da década de 1970, que ofuscaram os dramaturgos, quando não os próprios atores, que com sua imagem difundida pela televisão tornam-se verdadeiramente o centro da atenção do público.
Pode-se alegar, também, a falta de apoio aos novos dramaturgos para expor seus trabalhos, como concursos de dramaturgia e incentivos aos escritores. Bons trabalhos existem. O problema é encontrá-los.
Também os novos dramaturgos apostam em textos baseados no mesmo arroz e feijão de sempre, ou seja, numa estrutura dramática já clássica: apresentação das personagens, apresentação do conflito, clímax, desfecho. Escrever assim, é definitivamente um trabalho difícil. Como afirma Macksen Luiz:


A dramaturgia de base literária, na qual a dramática segue estruturação narrativa linear, tem se mostrado menos consistente. Os concursos de dramaturgia oficiais revelam quadro assustador: produção volumosa, mas medíocre. Essa produção que deságua nos concursos parece concentrar livres atiradores que, sem técnica ou capacidade inventiva, produzem pastiches de Nelson Rodrigues às dezenas, requentam temas regionalistas e imaginam um ''teatro político'' sem contexto, quando não reduzem a diálogos primários aquilo que imaginam ser a estrutura de um texto teatral. (Extraído de http://artescenicas.blogspot.com/2003/01/por-onde-anda-nova-dramaturgia-projeto.html)


Diante dessa devassa de porcarias que os grupos encontram, acabam optando pelo caminho mais fácil: montar um texto clássico. Quando não o fazem por Shakespeare (Sonho de uma noite de Verão e Romeu e Julieta, me dão calafrios só de ouvir falar em "nova montagem"), resvalam no teatro político das décadas de 1960 à 1980, com a maior quantidade de textos de qualidade e fácil acesso. Ou ainda, podem optar por escrever seus textos, por ora caindo, invariavelmente, nos besteiróis que inundam os teatros Brasil afora.
Escrever os próprios textos, e não buscá-los prontos, é o aceno de uma tendência. Grupos e Companhias de prestigio mostraram que isso, aliado à uma pesquisa cênica e literária séria, é garantia de um bom trabalho. O Teatro da Vertigem usa desse recurso. A construção se inicia no trabalho coletivo com colaborações de todos no texto (não confundam com textos ou direção coletiva, onde um destrói o trabalho do outro, aqui ainda há a hierarquia teatral), mas quem tece o texto objetivo final é um dramaturgo.
Com isso afirmo que a dramaturgia brasileira sim, pode estar enfrentando uma crise, mas ela é histórica. Da mesma forma que hoje se escreve muita coisa ruim, anteriormente também se escreveu. Mas trabalhos como os do Teatro da Vertigem, do Grupo Galpão, e obras como as marteladas de Mário Bortolotto (mais recente, impossível), nos mostram que a boa dramaturgia resiste, como sempre resistiu. Falta-nos a sensibilidade para encontrá-la.

*Felipe Martins é ator do grupo Isso & Ócio, Arte-Educador e cursa o 4º ano de Pedagogia na FFC/UNESP de Marília.


Para Ilustrar:




Apocalipse 1,11, Teatro da Vertigem - trabalho de pesquisa dos atores e direção que resultou no texto final de Fernando Bonassi. Extraído de www.muito.com.br, tem outras excelentes fotos e vídeos para conferir o trabalho do Vertigem.

Por que as pessoas não vão ao teatro?


Passando por ai vi este artigo e o que me chamou mais a atenção foi essa perguntinha difícil de responder: Por que as pessoas não vão ao teatro? É claro que constituí um desafio respondê-la, e por enquanto podemos fazer apenas algumas suposições. E achei interessante este artigo da Audrey. Acho que vale a pena espalhá-lo.

Por que as Pessoas não vão ao Teatro?
Quando fazemos esta pergunta à resposta imediata é: Porque é caro. Realmente algumas peças são caríssimas, mas em São Paulo há diversos tipos de espetáculos. Os gratuitos, que tenho que admitir que há o inconveniente de esperar horas na fila para receber o ingresso, os com preços médios de R$ 15,00 a R$ 20,00, valores similares aos do cinema, os de R$ 30,00 a R$ 50,00, quantia que um jovem gasta numa balada, e os extremamente caros.
Então a minha resposta para essa pergunta é: a falta de habito, assim como a falta de habito de ler. Quem não lê costuma dizer que não tem tempo, mas passa horas em frente à televisão.
Conheço gerente de banco, com nível superior, que quando soube da minha atividade confessou nunca ter ido ao teatro. Não muito distante desta realidade há muitos atores ou estudantes de artes cênicas que também há muito tempo não vão ver uma peça.
Tenho algumas sugestões para aumentar o publico de teatro, é claro que isso será a longo prazo, porque mudar a mentalidade de uma sociedade não é tão fácil assim. Uma delas é a volta das matinês, mesmo para os espetáculos adultos, pois com a violência as pessoas evitam o centro das cidades principalmente à noite, isto facilitaria também a vida de quem mora na periferia porque depois de certo horário não há mais transporte publico. Outra idéia seria a abertura de mais salas de espetáculos na periferia e nos shoppings, a "pseudo segurança" aliada à facilidade de acesso aos shoppings já estão incorporados à rotina das grandes cidades.
Além disso é necessário formar a nova geração do publico teatral, as escolas poderiam incentivar e promover mais passeios ao teatro. É bastante comum ver a criançada participando de excursões a grandes parques de diversão, é sadio incentivar as crianças a gastarem energia em parques, mas é bom diversificar as atividades extracurriculares.
Infelizmente não dá para saber ao certo porque as pessoas não vão ao teatro, se é mais confortável ficar em casa e assistir TV ou se a divulgação do cinema é melhor. As vezes o teatro moderno é visto como esquisito que ninguém entende e o clássico cansativo, mas sabemos que quando há atores famosos da TV atrai bastante gente independente do preço e da distancia.
Por Audrey Cristina, Atriz e Jornalista - 06/06/07 – Publicado Originalmente em
http://oficinadeteatro.com/por-que-as-pessoas-nao-vao-ao-teatro/

DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA


Segunda montagem do grupo. Foi dificil mas conseguimos montar e apresentar.
De autoria de Plinio Marcos, este é um dos textos mais significativos da história da dramaturgia brasileira, além de ser um dos meus textos favoritos.

Ficha Técnica

Direção: Ramis Pedro
Criação de Luz: O grupo
Operação de Luz: Guilherme Moura
Contra-regra: Adriano Andrade
Staff Técnico: Thiago Bernardes
Cenografia: Felipe Martins e Rafael Grassi
Figurinos: Felipe Martins
Produção Gráfica Digital: Felipe Martins
Concepção do Espetáculo: Felipe Martins, Rafael Grassi, Thiago Bernardes e Ramis Pedro.

No elenco:

Paco - Felipe Martins
Tonho - Rafael Grassi



SINOPSE
"Dois Perdidos numa Noite Suja", um dos grandes clássicos da dramaturgia nacional, se encontra entre as mais significativas obras de Plínio Marcos. Escrita num período conturbado da história do Brasil, a peça enfoca todas as expectativas e angústias de trabalhadores num único impulso de sobreviver às adversidades sociais, abordagem característica dessa fase do teatro de Plínio Marcos.
Na peça, dois farrapos humanos, Paco e Tonho, encontram-se numa situação semelhante: trabalham como carregadores num mercado, ganhando o suficiente apenas para sobreviver em condições de miséria. As semelhanças, contudo, param por ai. Paco é marginalizado desde a infância, viveu em orfanatos e não nutre grandes expectativas para sua vida. Já Tonho, nascido no interior, estudado e inteligente, vê seus sonhos desabarem diante de tal realidade torpe. A situação torna-se tensa quando Paco arruma um par de sapatos novos e gera em Tonho uma enorme frustração diante de sua própria condição. Tonho passa projetar no par de sapatos velhos que calça as razões da situação pela qual passa.
A falta de perspectivas, além de problemas recém gerados no mercado, leva Tonho a buscar uma saída para essa situação num desesperado ato criminal: um assalto.
A partir disso a tensão e o desespero são capazes de levar o homem a própria auto-destruição.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Não adianta...

Diante as dificuldades de um grupo pequeno e do interior de divulgar seu trabalho... tive de buscar um blog



O grupo surgiu em fevereiro de 2005, por iniciativa de um grupo de estudantes de Escola de Teatro Ramis Pedro em Marília. Na época eram Felipe Martins, Rafael Grassi Thiago Bernardes e Guilherme Moura. A vontade de produzir era imensa e as dificuldades e escorregões de outros grupos que tentaram a mesma empreitada não assustaram. O grupo surge com a melhor das intenções, produzir arte cênica de qualidade na cidade de Marília e crescer enquanto artístas.


Iniciam o trabalho com a montagem do espetáculo "Torturas de um Coração" de Ariano Suassuna. Depois de problemas de entendimento no grupo a montagem foi cancelada. Iniciamos, então, a montagem do primeiro ato da "Farsa da Boa Preguiça" de Ariano Suassuna.

O PERU DO CÃO COXO - "A FARSA DA BOA PREGUIÇA"

Direção Ramis Pedro.

Músicas: Tavinho Moura e Guilherme Moura.


Operação de Luz: Adriano Andrade


Criação de Luz: Rafael Grassi


Maquiagem: Mariana Grassi


Cenografia e Figurinos: Felipe Martins


Projeto Gráfico: Felipe Martins


No elenco:


Manuel Carpinteiro - Rafael Grassi


Miguel Arcanjo - João Campoy

Simão Pedro - Felipe Martins

Andreza, a Cancachorra - Mariana Grassi

Aderaldo Catacão - Felipe Martins

Nevinha - Janaina Rodrigues

Joaquim Simão - Guilherme Moura

Dona Clarabela Catacão - Carol Esperança

Fedegoso, o cão Coxo - Rafael Grassi

Quebrapedra, o cão caolho - João Campoy


quarta-feira, 7 de maio de 2008

Diário de um trabalho.

O Diário de um trabalho

Saudações.
Estamos mudando nosso blog por questões práticas e de caráter reformulativo do conteúdo. Esperams que gostem.
O Grupo de Teatro Isso & Ócio entra (denifitivamente?) na era digital. Achamos importante manter um blog e endereço eletrônico (em breve nós o disponibilizaremos), para maior divulgação do nosso trabalho. Colocaremosaqui um breve histórico das nossas atividades em teatro além de artigos e links de interesse, quando acharmos conveniente.
Por hora é isso.